Iramaia-Ba. Local composto de uma parte por vegetação de caatinga com relevo plano com alguns morros, tanques e lagoas, clima seco e quente e outra de gerais, com grandes serras, rios e riachos, clima frio e úmido. Gente sofrida pela falta de recursos econômicos que lhes garantam uma boa qualidade de vida, porém com uma riqueza de espírito muito grande traduzido em belas interações e criações: comidas típicas deliciosas do sertão como godó de banana, cortado de palma, de maxixe, beijus, requeijão feito no tacho, avoador, doce de leite. As frutas mais comuns em suas épocas são: umbu, banana, laranja, melancia, manga etc. A mais rara e talvez não há mais é jaboticaba, ainda encontra-se mangaba em alguns locais do Gerais. Atualmente existem poucas bordadeiras. O São João é a festa popular mais procurada junto com a Festa da Gruta e de reisado (Já são poucas).
Guardo em mim os momentos de alegria e satisfação de ver o céu estrelado, a luz do luar e dos vagalumes piscando, de brincar na correnteza da chuva com os barquinhos de papel feito por nós, das prosas na calçada com os mais velhos contando seus causos, as brincadeiras de roda em tempo de lua cheia, as viagens de trem para Salvador,"Paisagens na memória", as feiras livres com as frutas e verduras trazidas pelos tropoeiros lá do alto da chapada ou da caatinga (maxixe, mangaba, manga etc.). Saudades da infância em Jiquy. "Era tanta saudade, saudade mata a gente...".
Antigamente a televisão pegava muito mal e não tíhamos os desenhos animados, mas havia criação. Faziamos bonecas de pano, vestidos de boneca, casinhas de palha, algumas vezes ajudava meu irmão mais velho a fazer carrinho de madeira com roda de pedaços de sandália Havaiana. Minha irmã ganhou um projetor de imagens a pilha e por muito tempo era a nossa diversão. Ligavamos o aparelho à noite para vermos sempre as mesmas imagens, mas inventávamos uma história a cada dia, só para nós, mas nunca foram registradas. Quando meu pai viajava, sempre em seu retorno trazia um brinquedo novo fabricado com outros materiais não muito sofisticados e também era divertido. De vez em quando apareciam os turcos que acampavam no povoado e todos ficavam admirados. Eles fabricavam tachos e utensílios domésticos de cobre e de madeira, as mulheres vestiam vestidos compridos, coloridos, brilhosos e usavam bricos grandes. Nas nossas brincadeiras de infância, imitávamos eles, assim como os palhaços e malabaristas dos pequenos circos que apareciam. Ainda não existiam lá entre nós os jogos de videogames e computador, os filmes em VHS ou DVD para ficarmos repetindo-os inúmeras vezes, mas da mesma forma repetíamos as nossas brincadeiras, imitações e fantasias até surgi uma nova.
A escola primária (assim era chamada na época) não tinha os recursos tecnológicos modernos (televisão, vídeo, computador), mas arranjavámos uma radiola para nossas aprentações, fazíamos telefone com caixa de fósforo e cordão, piquenique. Não tinha quadra, mas jogávamos baleado, amarelinha e outras coisas em seu redor. Havia um cantinho com livros de histórias, mas eram empoeirados, não lembro de lê-los. Entretanto, em minha casa tínha uma coleção de histórias clássicas infantins e algumas noites minha mãe sentava conosco para lermos em voz alta.
sábado, 2 de maio de 2009
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